TIOZINHO DO TERCEIRO MILÊNIO

As vezes acordo com a paciência de um millennial hiperativo, sem Ritalina, morando numa segunda-feira qualquer do século passado, sendo obrigado a rebobinar infinitas fitas do Titanic para devolver à videolocadora.

Sempre ouvi falar que a paciência vai se transformando num artigo de luxo nas pessoas mais velhas mas, os mais velhos que me fizeram acreditar nessa hipótese, habitavam um mundo bem menor, que dava pra dar conta com os sentidos, pelo menos aqueles que conhecíamos.

Um mundo onde a imaginação ocupava um lugar importante mas, a realidade, esta mesma que pode nos amputar a qualquer momento pelo simples fato de estarmos calçando um Crocs em alguma escada rolante de qualquer shopping da vida, esta sim, era a que contava.

Posso afirmar: eles nunca souberam o que é perder a paciência de verdade. E olha que não estou falando de um mundo pior, pelo menos tecnicamente.

Não sei quando foi que começamos a morar mais dentro das nossas telas do que aqui no quintal, quer dizer, no playground, na varanda gourmet ou no gazebo dos nossos condomínios.

Não sei quando foi que começamos a sentir mais dor com uma palavra mal colocada do que com um traumatismo craniano. Não sei, mas aconteceu e esta acontecendo cada vez mais, e isto, para alguém que morou num planeta onde se jogava bola no meio da rua descalço com as traves do gol feitas com chinelos, que também eram usados pelas nossas mães como ferramentas auxiliares na nossa educação, entre outros objetos que se podia arremessar, é muito estranho.

Outro dia, no caixa do hipermercado perto da minha casa, presenciei uma mãe tomando esporro do filho pequeno por conta de uma marca de chocolate que o menino queria e não existia “naquela bosta”, ele exigia que fossem imediatamente para algum outro lugar “muito mais da hora” que vendesse a marca que ele queria. A mãe pediu desculpas ao filho, prometendo que iriam imediatamente, enquanto colocava a senha do seu cartão na maquininha. Eu tive que me segurar.

Continua (ou pelo menos deveria/deverá continuar)

 

#ChicoScarpini

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