ERIC – stereoTIPOS

Caipirinha, bombeirinho, porradinha, cuba, rabo de galo, gasolina com etanol… Eric adora uma alquimia, toma todas desde moleque. Nunca gostou de bebidinha fraca, tipo cerveja. O seu negócio é pirar, pirar e ficar no canto, contemplando a ‘beleza’ que vai surgindo a cada gole. Adora ver a gordinha delícia, a magrela elegante, a tiazona sex, a branquela charmosa, a baixinha meiga… e assim vai, cumprindo a sua missão na terra, que, abastecida por muitos ‘embelezadores’, cumpre sem nenhuma queixa.

Eric é um colecionador de barangas e um bêbado inveterado, sempre foi assim. Não pode ver uma mulher feia que fica louco pra saber o que acontece se misturar com álcool. No começo, a sua turma tirava o maior sarro, os amigos mais íntimos ficavam horrorizados e preocupados, mas com o tempo, foram percebendo que ele era assim mesmo, “relaxa que o Eric gosta”, depois do seu 5º coma alcoólico desistiram.

A primeira vez que ficou bêbado, estava num bar da zona Sul, conversando com uma gatinha e tomando caipirinha. Nove. O menino ficou desfigurado. Quando falava era cuspe pra todo o lado. A gatinha, óbvio, foi embora e Eric ficou sozinho na mesa, mas não ficou bravo nem triste, na realidade gostou, o seu caminho ficou livre para admirar a tia da limpeza lá no fundo do bar, que entrava e saia, com os seus rodos e esfregões do banheiro feminino, devia ter uns 50 anos, gordinha, baixinha, cabelinho crespo bem curtinho, orelhas grandes, não tinha um pré-molar e provavelmente usava ponte, verruga com pelo no queixo e uns pelinhos no buço, perfeita para o jovem ébrio que estava descobrindo, naquele momento, o seu gosto peculiar. Para ele, aquela cena foi marcante, sensual, erótica, ele virou bicho. Marcante também, foi o tumulto que provocou quando trancou-se com a pobre no banheiro. Uma gritaria dos diabos, era barulho de cabo de rodo batendo na tampa da privada, de bunda batendo na pia, de balde quebrando, de tapa… a briga foi feia, o gerente do lugar não sabia o que fazer quando arrombou a porta e viu aquela cena, melhor nem comentar o fim da história, quer dizer, o começo da missão do jovem, que ficou mais conhecido a partir do episódio como “Eric, o homem avestruz”.

*stereoTIPOS = Alguns textos deste blog com perfís fictícios, ‘pero no mucho’. Pessoas que de alguma forma conhecemos. É inspirado em tiras do cartunista ANGELI, na época da revista Chiclete com Banana (anos 80), não lembro o nome da sessão na revista, mas sei que retratava tipos urbanos, figuras, políticos… alguma coisa assim.

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DOWN

Eu queria falar de alegria, mas a sinceridade ganhou. A minha verdade anda triste, em passos lentos e curtos, parece que arrasta um cadáver em cada perna. Pode ser exagero, pode ser uma ilusão, um mau gosto, pode ser tudo, inclusive eterno. A percepção é quem manda e hoje ela anda no passo da minha verdade, no limite do humano.