LEFT RIGHT

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Bamboo+Illustrator

E a verdadeira elite se diverte, sem crise.

 

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O HOMEM DA MÁSCARA

Cansado, desanimado, querendo mudar para um meteoro.
O homem da mascara continua ali, chocando sonhos embolorados, olhando o mundo acontecer, esperando um antídoto que nunca foi capaz de encontrar.
Tem cada vez menos coragem, sente muito medo e pensa que engana alguém.
Ele não sabe, mas nunca precisou da máscara.
Primeiro, precisaria ser notado.

O GRANDE HIPOPÓTAMO E O VELHO RINOCERONTE

Segunda-Feira, já era tarde, alta madrugada. A coisa começou no domingo antes do jogo. Não estavam lá para assistir nada, apenas gostaram do lugar, daquele movimento e daquela gente boba circulando por todos os lados: um cara xavecando uma mina ali, um bêbado apoiado no balcão, o garçom louco pra ir embora e eles lá, ralando o copo. Uma epopéia etílica coroada com uma fila de garrafas no chão. Trabalho de matemático, eram muitas garrafas para aquele pequeno espaço, nada quebrava ou caia e o papo rolava solto. Falavam de música, do comércio internacional, da última turnê do Iron Maiden, do papa, da mãe Diná, falavam de tudo, resolviam tudo, concordavam com tudo, discordavam de tudo e sabiam que estavam bêbados, só não conseguiam lembrar o momento exato em que ficaram assim. Provavelmente uma hora depois que chegaram ao lugar.

-Não vem com essa, o Caetano Veloso é viado.
-Imagina, é preconceito seu, o cara além de não ser viado é um gênio, já foi casado várias vezes, namorou um monte de gostosa, tem filhos, fora a sua capacidade anormal de escrever letras. Não é viado não. E se fosse, não teria problema algum. É um dos maiores poetas que este Brasil conheceu.
-Vai toma no cú! Ele, você e todo mundo que gosta. Onde já se viu, um puta som de coxinha. Garçom, traz mais uma! Não gosto e pronto, pra mim quem gosta de Caetano Veloso, no mínimo, tem curiosidade.
-A Original acabou patrão, gelada, eu só tenho a Kaiser, pode ser?
– Kaiser é foda!
-Tá gelada mesmo?
-Sim senhor, mas vou avisando que a casa já esta fechando.
-Beleza, então manda quatro.
-Quatro não tem não, só tem duas.
-Duas então.
-Do que a gente tava falando mesmo?
-Acho que você disse que gostava muito da música do Leãozinho.
-O que? Música do leãozinho? Cê tá querendo arrumar confusão, acho melhor parar com esse assunto, vai dar merda.
-Eu estava brincando, você falou que a sua música predileta do Caetano Veloso é Tigresa. Sério!
-Agora você foi longe demais, isso é falta de respeito. Garçom, por favor, suspende as Kaisers, ou melhor, manda uma só, a MINHA. Aproveita e manda a conta e se quiser, manda esse cara aqui a merda também.
-Garçom, como é o seu nome?
-Genivaldo.
-Muito prazer Genivaldo, faz um favor, sabe aquela cerveja que este cidadão dispensou? Trás ela pra mim, aproveita e troca o copo, por favor.
-Olha, o patrão mandou avisar que já tá fechando, se vocês quiserem, vai ter que ser no copo de plástico mesmo.
-Não fala uma coisa dessas meu amigo! Copo de plástico é fóda. Você ia servir duas até agora pouco? Só porque a gente, quer dizer, ele, dividiu o pedido, você me vem com essa de copo de plástico? assim é sacanagem?
-É pegar ou largar?
-Tá bom, já que não tem outro jeito, manda assim mesmo. Olha o que o senhor fez!? vamos ter que tomar no copo de plástico por causa do seu ataque de franga.
-Eu não ligo, você que tem essas viadagens, só podia ser fã de Caetano Veloso mesmo. Me tirou de loco meu amigo! Ficou falando que eu gosto de musiquinha isso, musiquinha aquilo?! Bem feito. Vai tomar no copinho de plástico. Ei, volta aqui! Não foge não! Resolveu ir no banheirinho só pra não aguentar o titio aqui tirando sarrinho da carinha do bebê?
-Ai patrão, aqui esta a conta, as cervejas e os copos. Pode encher, pagar e tomar o seu destino.
-Calma que o gordinho, fã de Caetano, esta chegando. Deixa eu ver essa conta. O que!? Vocês estão malucos! DUZENTOS REAIS, e deu redondinho? Genivaldo, assim você esta pior que o meu amigo do leãozinho. Por falar nisso, aonde anda a figura? Só me faltava essa. Não pode ser verdade. Será que o filho da puta foi me passar mal no banheiro?

* “O Grande Hipopótamo…” pode ser o nome para as peripécias ébrias, verdadeiras ou não, de dois amigos de longa data nos bares da vida.