​DELÍRIO GEEK TUPINIQUIM

Eu queria ter os poderes do Charles Xavier para fazer uma varredura no cérebro dessa galera do poder aqui no Brasil e revelar de uma vez por todas, de forma absolutamente inquestionável, a verdade sobre essas patifarias que fazem conosco. Gostaria de saber quais seriam os efeitos na sociedade diante da absoluta certeza das coisas.

Duro seria a recuperação do trauma e a escolha de algum caminho realmente novo depois da hecatombe.

Algumas amizades poderiam se refazer também, mas não seriam todas. Para alguns casos, nem com os poderes do melhor amigo do Magneto se consegue a paz.

TOC

Eu vejo marcas em toda parte.

São restos mortais de parágrafos nervosos que partiram para guerra.

Digitais esculpidas na gordura das películas acrílicas que protegem a tela do vidro especial dos retângulos espertos grudados na mão de cada humano que o meu olho alcança.

Resíduos analógicos, tão efêmeros quanto o capricho dos seus donos e as suas flanelinhas entupidas de produtos químicos que deixam tudo limpinho. 

Rastros curtos deixados por polegares hiperativos, cheios de razão e ódio, obediência e ingenuidade.

Também vejo marcas de histórias de amor e sabedoria.

São poucas.

Mas estão lá, no meio de todos aqueles caracteres rabugentos que na realidade pedem socorro.

PLOC!

E se tivesse dado certo?
Aquele primeiro emprego, aquela primeira banda, aquele primeiro beijo, como seria?

Não teria dado certo.

Se fosse outra pessoa, no mesmo percurso, talvez.

Acertar o alvo nunca foi a especialidade da casa, ser o alvo, praticamente, uma vocação.

Não por falta de esforço.

O cachorro quando sai atrás da própria calda, faz muito esforço.

Sempre me espantei com a quantidade absurda de sonhos que o desejo é capaz de soprar aqui dentro.

Bolhas de sabão que nunca ou quase nunca estouram, mas me mantém em movimento.

Canino.

Quase sempre.

Enquanto não chega o grande dia.

DEMO ZEN

Essas músicas foram gravadas a mais de 15 anos, em um estúdio – ou quase isso – no abc paulista, não lembro de mais nada com relação a endereço, nome e tal.
Fui a convite do meu amigo e grande músico, Adriano Grineberg.
Gravamos 5 músicas minhas, mas só consegui recuperar com alguma qualidade, essas duas: Mãe dos sonhos e Bela vida.
Não houve ensaio, os arranjos foram improvisados na hora e as seções de gravação foram separadas, possibilitando o registro de mais de um instrumento por músico.

Músicas e ficha técnica:

MÃE DOS SONHOS
Chico Scarpini: Voz, violão, arranjos e composição
Adriano Grineberg: Baixo, metalofone, percussão(milidanga), backing vocals e arranjos

BELA VIDA
Chico Scarpini: Voz, violão, arranjos e composição
Adriano Grineberg: Metalofone, backing vocals e arranjos

O CIRCO DO CILICO

Três músicas infantis que compus a muito tempo, para três (na época de cada composição) crianças, muito especiais. Canções registradas ao vivo no estúdio a mais de uma década, violão e voz, sem nenhum ajuste, mixagem ou truque. Batizei com o nome de uma das músicas: o apelido que meu pai usava para chamar a minha pequena irmã. Viva o circo do Cilico.
Gravado no estúdio Cake Walking
Chico Scarpini: Voz e Violão

5ªE

Demo tape da banda 5ªE (Quinta E) gravada em meados de 2003 no estúdio Cake Walking em São Paulo – SP.

Chico Scarpini: Voz, violão e composições
Rodrigo Jofré: Baixo
Sandro Grineberg: Bateria

Músicos convidados:
Fabá Jimenez: Guitarras
Adriano Grineberg: Metalofone na música Fenix e backing vocal em Ela Vai Voltar

Gravação e mixagem por Edu Gomes.
Arte da Capa Affinities – Flavio Reales e Alexandra Pedroso

 

MIRAGEM

Longe, tão longe.

Tanto que nem sei dizer quanto,

num tempo que nem sei dizer quando,

exatamente.

 

No pensamento,

no brilho da luz da lente do robô,

no álbum empoeirado, nas fotos mofadas, nos brinquedos quebrados,

nas grandes mentiras de um passado, inquestionavelmente,

feliz.

 

Insuperável.

 

Salve todas as histórias e estórias.